Vão negar
Vão maldizer
Vão inventar
Vão tagarelar
Vão fantasiar
Vão fetichizar
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Poucos estavam lá
Nenhum destes poucos dirá o que realmente aconteceu
Muitos queriam estar
Outros fantasiam estar
Alguns morrerão negando que estiveram
Ao mesmo tempo que estão ávidos por uma próxima vez
Outros confessarão em voz baixa quando ninguém estiver olhando
Alguns voltam sazonalmente
Outros não sabem o que vieram fazer
Há aqueles que se perdem quando encontram
Ou alguns, e esses creio serem especiais, que se encontram achando que se perderiam.
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Todos guardam um segredo no olhar.
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Medusa nunca matou ninguém de verdade.
.
_encare a ilusão da sua ótica.

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Todo o poder pode alguma coisa,

Somente o detentor do poder pode escolher o que fazer com esse poder,

Nesse momento,

átimo da decisão

Suas pulsões elaboradas ou não

Ecoam do fundo do ego

Como uma grande cavalgada

Mostrando qual era a carta dessa alguma coisa afinal

Ávida pela liberdade.

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Eu me lembro de como me fez sentir

Eu lembro da beleza

Do toque

Do cheiro

Da temperatura

Das expressões

Dos sons

Ambos hipnóticos

Das imagens

Do movimento

Da tez

Forte

Energética

De como se posicionava

Das trocas referenciais de toda a espécie

De ataques massivos ao pé do ouvido

Do cheiro de sangue no lençol

Do vocativo gemido

Do magnetismo

De não conseguir parar

“Lê pra mim outra vez”

Em voz alta

Enquanto segurava o membro ereto

De olhar no olho e sorrir enquanto entrelaçamento cavalgante

Sob a luz azul índigo

Das noites e dias em que explodíamos vermelhos

Deleitosos em comunhão contemplativa onde não conseguíamos encontrar palavras senão dizer EU TE AMO em conjunta consagração dos momentos de paz em clímax de vida e morte e trocas concensuais de pulsão pela vida.

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Tocar um corpo
Adentrar num espaço corpóreo
Sentir
Massa
Tátil
Passar a mão
Apalpar
Um corpo
Corpa
Soma de
Massa
Volume
Órgãos
Sangue
Força ativa
Pulsante
Um corpo finito na existência
Um corpo usado
Um corpo experiente
Um corpo vivo
Um corpo composto por várias coisas
Por vários tempos
Por vários lugares
Um corpo subjetivo
O limite do tato
Teu corpo foi tocado pelo meu corpo
Meu corpo foi tocado pelo teu corpo
Com sua licença,
Quero entrar
Quero me entregar
Quero aproveitar essa sensação do meu corpo com o seu.
Lhe concedo licença para adentrar na minha atmosfera corpórea também
Vamos
Sentir
O calor
A temperatura
O encaixe
Uma explosão transformadora da soma de dois corpos subjetivos.
Apenas celebrando a oportunidade finita concedida no movimento infinito do universo.

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